Get Adobe Flash player
Banner
Página Inicial Matérias geral

CRIMINOSOS SE APODERAM DE INFORMAÇÕES, FAZENDO VÍTIMAS NO MUNDO REAL

POR  SANDRA CUNHA   |  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Como nem tudo neste mundo é perfeito, as redes de relacionamento também guardam, de uma maneira muitas vezes eufemista, seu lado obscuro. Pedofilia, estelionato, roubo, sequestro, espionagem empresarial e até confrontos com hora marcada fazem parte dessa triste realidade, que, desconhecida por alguns e mal utilizada por outros, transforma os sites em uma espécie de disputa, lembrando os filmes de faroeste, entre os bons moços (usam apenas para diversão) e os bandidos (que até na internet conseguem transgredir as leis).

A Justiça brasileira tem, nesses últimos anos, se preocupado muito com os crimes cibernéticos, principalmente nas redes sociais como Orkut, Twitter e Facebook. A preocupação se dá na mesma proporção em que o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) divulga um estudo em que consta que 85% da elite brasileira confia na internet como fonte de informação e 91% dos entrevistados buscam dados na web antes de efetuar uma compra. Em um relatório divulgado pelo ONG Safernet, cerca de 90% das denúncias de pedofilia registradas no Brasil, em 2007, tinham relação com o conteúdo do Orkut. Até pouco tempo atrás, o Google dificultava de todas as maneiras o envio de informações pessoais de seus “correntistas” para o Ministério Público, complicando a ação da Justiça.

Segundo Thiago Tavares, presidente da Safernet, isso fez com que os criminosos vissem o  site como o porto seguro para crimes. “Depois de inúmeras denúncias, a empresa americana se comprometeu a liberar informações, mediante determina-ção dos órgãos responsáveis. Infelizmente, não temos conhecimento de nenhuma pesquisa atual em que conste a informação de que, com essa nova política de ‘liberação’, os crimes diminuíram.”

Outra situação corriqueira nesse ambiente são os crimes de estelionato. Muitos usuários colocam nome, número de telefone, endereço e outros documentos pessoais. Com apenas esses dados, o criminoso consegue clonar cartões, identidades e desviar dinheiro de contas bancárias.

Sem contar o delito prostituição (sim, é um delito). Em apenas alguns segundos de navegação, é fácil encontrar homens e mulheres que vendem seus corpos e usam os  sites para divulgar fotos e marcar encontros. Além de brigas marcadas e comentadas depois, sendo isso mais um absurdo que os usuários dessas redes têm praticado.

Em Diadema, na Grande São Paulo, por exemplo, 87 adolescentes foram detidos, no dia 26 de março de 2009, por iniciarem uma briga que foi marcada, como se agendassem uma reunião de negócios, em uma praça da cidade. Por sorte ninguém se feriu.

Diante de todos esses fatos, fica claro que as redes sociais são impor-tantes, isso ninguém nega, porém, depende de como e para o que são utilizadas. De acordo com o coordenador do Movimento Internet Segura, Djalma Andrade, para qualquer ação em nossas vidas, existem riscos associados. “Desde que tenhamos consciência das informações que queremos compartilhar (usuário ou empresa), os riscos podem ser mínimos ou aceitáveis para obtenção do resultado pretendido.

Para isso, e principalmente para usuários domésticos, deve-se considerar que a exposição excessiva de informações detalhadas pode trazer aborrecimentos ou complicações, pelo uso de tais informações para aplicação de golpes, ameaças, chantagem, etc.” O especialista informa ainda que não existe receita segura, mas alguns cuidados são fundamentais. “Como exemplo, podem ser definidas as informações que serão compartilhadas. Em se tratando de usuários domésticos, é recomendável que evite a divulgação de número de documentos, datas diversas (como aniversários), endereços completos, detalhes sobre familiares, etc. É importante ter atenção redobrada também com relação a onde e como irá manter as informações (local onde o usuário poderá controlar o acesso e se o mesmo poderá ser generalizado por qualquer internauta).”

Outros cuidados devem ser observados pelos usuários, como as comunidades que frequentam. Muitas vezes o usuário pode colocar entre suas comunidades um  link  da empresa que trabalha (ou trabalhou), expondo seus funcionários e diretores a ações de criminosos. O mesmo cuidado deve ser adotado com comunidades de escolas, universidades e academias. Essas dicas podem, sim, tornar o usuário vulnerável, pois o bandido facilmente visualiza sua foto na rede de relacionamento e, de posse dessa imagem, pode interceptá-lo nos locais que frequenta, podendo configurar nas comunidades das quais faz parte.

EMPRESAS TAMBÉM SÃO VÍTIMAS

Uma pesquisa realizada pela National Cyber Security Alliance (NCSA) descobriu que 57% dos usuários de redes de relacionamentos virtuais, como é o caso do Orkut e do MySpace, já divulgaram informações pessoais críticas que normalmente não revelariam. Segundo o site ITPro, alguns especialistas acreditam que empresas possam estar em risco, já que seus empregados podem divulgar informações confidenciais em âmbito público. O estudo da NCSA também descobriu que, mesmo com os avisos dos perigos para segurança, 83% dos entrevistados já baixaram arquivos de perfis de pessoas que eles não conheciam ou não tinham certeza do conteúdo.

O executivo da empresa de segurança Trend Micro Raimund Genes disse que preocupações quantoa  copyright  e assédio on-line foram substituídas por ameaças direcionadas motivadas por ganância. “No cenário atual do perigo, as motivações são mais frequentemente ganhos financeiros. Como visto no estudo da NCSA, a grande maioria de usuários de sites  de relacionamentos está feliz em compartilhar dados pessoais com estranhos. Isso resultará em fraudes envolvendo dinheiro”, argumentou.

De acordo com ele, essas brechas de segurança são relevantes para empresas que utilizam esses  sites  como veículos de marketing. “É o que transforma tais redes sociais em meios alternativos para envios de e-mails em massa, conforme noticiou o site ITWeek”, lembra Genes.

Andrade esclarece que a grande maioria das empresas possui  softwares e hardwares específicos para controle de acesso interno e externo a partir de suas redes. “Assim podem controlar quais tipos de acessos e por quem poderão ser efetuados (registrando cada ação). Tais controles são eficientes. Contudo é fundamental entender que não existe ‘uma bala de prata’ que irá resolver todos os problemas e desafios relacionados à segurança, que deve ser tratada em camadas (pessoas, processos, tecnologias). Portanto, capacitar econscientizar o usuário são tão fundamentais quanto possuir processos e procedimentos de uso, bem como operação bem definidos e tecnologias de controle e proteção. A soma dessas três dimensões traz condições de uso com proteção adequada.”

FERRAMENTA EFICAZ NA CONQUISTA DE CLIENTES

A Nielsen, empresa mundial responsável por importantes análises  de mercado, divulgou, em 2009, o relatório mundial sobre navegação. As informações decorrentes desse estudo são fundamentais para enender como cativar os clientes e aumentar as vendas.

A companhia divulgou que visitados por mais de dois terços (67%) da população on-line mundial, os members   communities,  que englobam as redes de relacionamento e blogs,  se tornaram a quarta categoria on-line mais popular (à frente do e-mail  pessoal). O crescimento é duas vezes maior que qualqueroutro dos quatro maiores setores (busca, portais,  software para PC e  e-mail ), de acordo com um abrangente relatório da  The Nielsen Company “Global Faces and Networked Places” (Faces Globais e Lugares Plugados) disponibilizado recentemente, documento que revela a nova marca global das redes de relacionamentos.O estudo destaca ainda outras informações relevantes:

• O maior aumento no número de visitantes em  sites  veio de pessoas entre 35 e 49 anos;

• No Brasil, o Orkut tem o maior alcance (70%) do que qualquer outra rede social em todo o mundo;

• O Facebook tem o maior tempo de permanência no site  entre as 75 maiores marcas em todo o planeta. Segundo John Burbank, CEO da Nielsen Online, redes de relacionamento têm se tornado uma parte fundamental da experiência on-line mundial. “Embora dois terços da população on-line global já acesse os sites   member  communities, as vigorosas adoção e migração de tempo não mostram sinais de redução. As redes de relacionamento irão continuara alterar não só o cenário on-line mundial, mas também a experiência do consumidor. Este estudo mostra como.”

De acordo com o relatório da Nielsen, o Facebook (a rede de relacionamento mais popular no mundo) é acessado por três em cada dez pessoas on-line por mês, em nove mer-cados onde a Nielsen pesquisa o uso da rede de relacionamento. O relatório fornece insights sobre a constante mudança no tamanho e na composição da audiência da rede de relacionamento global e sobre a crescente participação do tempo na internet que isso representa. O estudo também analisa como os principais provedores estão convivendo e o que os publicitários e editores podem fazer para tirar vantagem desse fenômeno, que são as redes de relacionamento.

Para Djalma Andrade, a internet é um mar de oportunidades e novidades constantes. “Entendendo como os usuários fazem uso dessas novidades, pode-se sim trazer resultados significativos para as empresas. Há uma busca constante das companhias em ‘se aproximar’ de seus clientes e usuários, e a internet definitivamente pode contribuir em muito com isto.”

Outras descobertas:

Um em cada 11 minutos on-lineno mundo é decorrente dos  sites  de redes de relacionamento e  blogs;

A audiência das redes de relacionamento e  blogs está se tornando mais diversificada em termos de idade: o maior aumento nos visitantes dos  sites   members communities no mundo vem do grupo de 34 a 49 anos de idade (+11,3 milhões);

Celulares estão tendo um crescente e importante papel nas redes de relacionamento. A Nielsen descobriu que a rede de celulares na Inglaterra possui a maior propensão de acessar as redes de relacionamento por seus aparelhos portáteis, com 23% (2 milhões de pessoas), comparado com 19% nos Estados Unidos (10,6 milhões de pessoas). Esses números representam um grande aumento desde o ano passado (249% na Inglaterra e 156% nos Estados Unidos).

O autor do estudo, que também é diretor de comunicações por meio da EMEA para a Nielsen Online, Alex Burmaster, afirma que as redesde relacionamento não estão apenas crescendo rapidamente. “Também estão evoluindo em abrangência de audiência assim como adquirindo novas funções. Nós nos sentimos obrigados a analisar o  status do mercado global das redes de relacionamentos e considerar quais as implicações que isso traz para nossos clientes, editores e publicitários.”

Entre os mercados que a Nielsen mensurou, a penetração das visitas às redes de relacionamentos e  blogs foram maiores no Brasil, em que 80% da audiência on-line acessa tais sites . A participação do tempo geral na internet nas redes de relacionamento e blogs também foi maior no País, em que quase um em quatro (23% minutos gastos on-line) são usados nesses tipos de sites.

REDES DE RELACIONAMENTO ALA VANCAM O E-COMMERCE

Com esses dados podemos deduzir a importância do monitoramento de marca e tendências pelas redes sociais e  blogs.  Vale a pena, mesmo em pequenas e médias empresas, investir em métricas e sua análise de forma a criar estratégias para cativar e conquistar novos clientes. Incluir canaisde comunicação consistentes, permitir avaliação do produto ou publicação de experiências sobre eles são algumas das infinitas possibilidades. Segundo o site TI Inside, especializado em assuntos relacionados à tecnologia da informação, um estudo da consultoria com Score afirma que o Brasil é o segundo país do mundo em número de acessos a redes sociais e, de acordo com estudo da Pyramid Research , o mercado de smartphones saltará 600% na América Latina até 2014, liderado pelas vendas realizadas em território brasileiro. Corroborando essa informação, de acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria e-Bit, o mercado com maior destaque em 2009 foi o e-commerce , com faturamento na ordem de R$ 4,8 bilhões no primeiro semestre (o que significa aumento de 27% em relação ao mesmo período de 2008).Tais informações indicam um movimento sem volta em direção à virtualização do comércio e dos relacionamentos sociais, apoiados em uma convergência digital nunca antes percebida. Não há como negar que esse novo modo de relacionamento entre as pessoas e, principalmente, de realização de negócios de maneira eletrônica é a grande tendência a ser incorporada nos hábitos das pessoas e organizações para garantia da sobrevivência das mesmas já no mundo atual e no futuro.

Percebe-se que o Brasil é vanguarda entre os países em desenvolvimento em relação ao alto nível de disponibilidade e efetiva usabilidade de negócios eletrônicos. Conclui-se que a razão de tal fenômeno está baseada não somente na capacidade de construção de soluções tecnológicas satisfatórias, mas, fun-damentalmente, na capacidade que temos de nos relacionar sem receios com o mundo virtual – fato que nos difere do restante da humanidade.

Nessa hora, criatividade e inovação são a chave para ter sucesso. Também é importante lembrar de não criar nada sem um bom planejamento e estrutura para conseguir atender às novas demandas.

UIT PROPÕE AÇÕES CONTRA CIBERCRIMES

A União Internacional de Telecomunicações (UIT) propõe a criação de uma plataforma mundial de cibersegurança para que os países possam defender suas estruturas estratégicas, argumentando que as ameaças pela  web (até mesmo por meio das redes sociais) se tornam um “problema cada vez mais preocupante” em escala mundial. Os Estados Unidos tomaram a dianteira, com representantes do governo americano anunciando um projeto para contratar mil especialistas em cibersegurança entre os melhores do mundo nos próximos três anos. Essa equipe inclui analistas, programadores e engenheirospara ajudar na defesa do país contra ameaças pela rede mundial de computadores e proteger a infraestrutura e os sistemas domésticos na área de tecnologia da informação.

O secretário-geral da UIT, Hamadoun Touré, prevê que a “terceira guerra mundial possa começar pela internet”. Ele destacou em outubro passado a importância da criação de uma “ciberpaz” cujos países cooperariam entre si. Em um debate realizado na feira de tecnologia em Genebra, WorldTelecom 2009, o ministro da economia e comunicações da Estônia, Juhan Parts, lembrou os ciberataques efetuados contra a infraestrutura de internet em seu país em 2007.

Os ataques teriam sido deflagrados da vizinha Rússia, em meio a uma divergência sobre a realocação, pela Estônia, de um memorial de guerra para soldados da antiga União Soviética na capital estoniana.As diferentes legislações nacionais dificultam o combate às atividades transfronteiras mais comuns na internet, como o  phishing  (forma de fraude eletrônica com tentativas de adquirir informações sigilosas como senhas, número de cartões de crédito, etc). Um analista lembrou que o Reino Unido recentemente sofreu uma onda de ataques de phishing  a partir do Vietnã, país que não tem norma proibindo essa prática.

Durante o evento em Genebra foi apresentado um sistema apontado como o mais moderno em ciber-segurança, o  Impact  ( InternationalMultilateral Partnership Against Cyber Threats ), que pode identificar rapidamente ciberameaças às estruturas nacionais e tomar medidas de prevenção, segundo diretores da iniciativa, que conta com o apoio da UIT. No início de 2008, um centro de alerta mundial relacionado ao Impact  foi instalado na cidade de Cyberjava, na Malásia.

De acordo com Hamadoun Touré, todos os países são dependentes da tecnologia em todos os níveis da atividade econômica. “Comércio, finanças, saúde, distribuição de alimentos, etc, e desmantelar as infraestruturas estratégicas paralisam rapidamente as nações. Ninguém está ao abrigo de um ciberataque”, afirmou o secretário-geral da UIT.

Durante o debate, representantes do setor público e privado insistiram que os governos precisam melhorar a cooperação internacional para reforçar a segurança na internet e impor medidas mais duras para investigar e prender criminosos on-line.

Os participantes consideram que as respostas dos governos ao ciber-crimes tendem a ser mais reativas do que proativas, com as autoridades adotando apenas ações quando os crimes se tornam generalizados. Certos analistas conclamaram os produtoresde equipamentos e software  a aceitar maior responsabilidade para melhorar a segurança on-line, reforçando a segurança em seus produtos.

De acordo com o ex-diretor do Federal Bureau of Investigation (FBI), a Polícia Federal americana, Carlos Solari, hoje vice-presidente para questões de segurança da Alcatel-Lucent, as perdas causadas pelos cibercrimes são gigantescas e aumentam a cada ano. “A UIT criou uma estimativa de receita acima de US$ 100 bilhões em 2007 obtida pelo cibercrime, superando os ganhos do comércio ilegal de drogas pela primeira vez.”

Eugene Kaspersky, executivo-chefe e fundador da Kaspersky Lab, companhia russa de software antivírus, defendeu a mais dura ação de ciber-segurança: a criação de um sistema de identificação global para cada usuário da internet com o objetivo de localizar os criminosos on-line. Outros participantes, todavia, consideram a proposta sem nexo, a começar pelos Estados Unidos, local de origem da internet, cujos usuários são céticos sobre controles adotados pelo governo.

Uma representante da indústria de TI disse que um dos problemas é que não há realmente demanda do mercado de software  de segurança. Contudo, para Touré, o problema é menos técnico do que político.

REGULAÇÃO DA INTERNE T NO PAÍS

O Ministério da Justiça lançou no final de novembro de 2009 o Marco Regulatório Civil da Internet, uma consulta pública em formato de  blog  que vai definir os direitos e responsabilidades bá-sicas no uso da rede mundial. O processo busca criar regras para orientar as ações de indivíduos e organizações que utilizam a web . A intenção não é restringir o acesso nem normatizar localmente o que depende de harmonização internacional para funcionar.

A ideia é definir diretrizes para a ação governamental, tanto no que diz respeito à regulação quanto no que tange à formulação de políticas públicas para a internet. A proposta é reconhecer, proteger e regulamentar direitos fundamentais dos indivíduos, bem como estabelecer com clareza a delimitação da responsabilidade civil de quem atua na rede como prestador de serviço.

Na avaliação do ministro da Justiça, Tarso Genro, a iniciativa de consultar a população é um instrumento de ampliação da democracia no Brasil. “O marco é uma metodologia de construção para garantir a expansão da liberdade e democracia na internet. Isso não significa qualquer contemplação para delito ou uso da internet para fins ilegais.

Significa ampliar o potencial de liberdade via informação e produção de cultura por meio da internet”, ressaltou. O documento também vai servir para estabelecer diretrizes legais que permitam ao judiciário atuar com precisão e de forma fundamentada para a resolução de conflitos envolvendo a utilização da rede. Alguns temas como direitos autorais, comunicação de massa e questões criminais ficarão fora do debate, por já terem discussões estruturais.

“Estamos partindo do pressuposto que a participação popular pode enriquecer o processo de construção de nossas leis. O conhecimento coletivo pode e deve ser usado para aperfeiçoar a elaboração legislativa em nosso País”, destaca o secretário de Assuntos Legislativos, Pedro Abramovay.

A elaboração do documento ocorrerá em duas etapas. A primeira compreenderá um debate em torno de ideias, princípios e valores. O blog  apresenta um texto base contextualizando os principais temaspendentes de regulação e cada parágrafo estará aberto para inserção de comentários.

Cada participante também poderá votar para ranquear, positiva ou negativamente, as contribuições dos demais. Esses votos não significarão, necessariamente, a inclusão ou exclusão de determinado tópico do debate. Como resultado dessa discussão coletiva, o texto será aos poucos modificado. Novosparágrafos, tópicos ou eixos poderão ser incluídos, conforme a demanda, pertinência e desdobramento das discussões. Essas modificações e inclusões serão notificadas por meio do blog . Ao final de cada etapa será elaborada uma proposta de anteprojeto de lei, que levará em consideração os debates realizados.

Na segunda etapa, a discussão terá o mesmo formato, mas ocorrerá em torno da minuta de anteprojeto de lei. Mais uma vez, cada artigo, parágrafo, inciso ou alínea estarão abertos para apresentação de comentário por qualquer interessado. Também os foros de discussão serão usados para o amadurecimento de ideias e para uma discussão irrestrita.

O endereço do blog , onde ocorrerão os debates públicos durante a consulta, é www.culturadigital.br/marcocivil.

As discussões também podem ser acompanhadas pelo Twitter: www.twitter.com/marcocivil.

NOVOS EQUIPAMENTOS E TREINAMENTO ESPECÍFICO SÃO IMPLANTADOS PARA COIBIR PRÁTICAS CRIMINOSAS

POR SANDRA CUNHA | Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

FOTO DIVULGAÇÃO

O atentado terrorista nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 endureceu as regras de segurança nos aeroportos brasileiros. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero (administradora dos aeroportos brasileiros) estabeleceram naquele mesmo ano novas regras de segurança para as companhias aéreas instaladas no País.

As novas regras alteraram a rotina de segurança das aeronaves, aeroportos e bagagem. Uma das mudanças é o fim do  check-in remoto. Agora, o procedimento pode ser feito apenas no aeroporto. Outra mudança é a obrigatoriedade de identificação de todas as bagagens, inclusive as de mão. Antes, apenas as bagagens de mão acima de cinco quilos precisavam ser identificadas.

As companhias aéreas também estão exigindo a identificação do passageiro com RG e foto no check-in e portão de embarque. Antes, a identificação ocorria apenas no check-in . O acesso às aeronaves ao balcão das companhias aéreas agora é restrito apenas a pilotos, comissá- rios e pessoal de manutenção. Isso significa que funcionários terceirizados de limpeza, por exemplo, não têm mais esse acesso. De agora em diante apenas supervisores e funcionários com muito tempo de casa ou indicados pela companhia podem acessar os balcões das companhias nos aeroportos do  check-in . De acordo com Mauro Ribeiro de Assis, gerente-geral da Facilitação e Segurança da Anac, as regras de segurança nos aeroportos brasileiros são rigorosas. “O Brasil, por imposição constitucional, é obrigado a respeitar tratados e acordos internacionais dos quais faz parte. Como Estado Contratante Signatário da Convenção Internacional de Aviação Civil, o País se obriga a respeitar padrões uniformes, a serem aplicados internacionalmente por todos e instituídos em 18 anexos, entre os quais aqueles referentes à Segurança da Aviação Civil contra Atos Ilícitos”, informa.

O gerente-geral esclarece que após os atentados terroristas nos Estados Unidos, a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), com o objetivo de fortalecer o sistema de segurança da aviação civil internacional, revisou o Anexo 17 (Segurança) e aplicou, em junho de 2002, o Programa Universal de Auditoria em Segurança da Aviação Civil (USAP). “A auditoria foi realizada de 27 de junho a 5 de julho, em que foi acordada uma auditoria de seguimento, dentro de um período aproximado de 24 meses, com o objetivo de verificar a capacidade do Estado brasileiro em aplicar o Plano de Ações Corretivas enviado àquela organização.” Durante esse período houve um extenso trabalho para o cumprimento do Plano de Ações Corretivas com a revisão do arcabouço legal de segurança da aviação civil, em especial o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil (PNAVSEC), em coordenação com o Departamento de Polícia Federal, o Comando da Aeronáutica, a Agência Brasileira de Inteligência e a Infraero.

Segundo a direção-geral da Polícia Federal, o policiamento foi intensificado em diversos aeroportos, especialmente Santos Dumont (RJ), Congonhas (SP), Pampulha (MG), Belém (PA) e São Luís (MA). Embora não haja notícias de terrorismo no Brasil, foi necessário adotar medidas preventivas para evitar, por exemplo, que determinados grupos se refugiassem no País. Mauro Ribeiro de Assis lembra que, devido à transição das responsabilidades do Departamento de Aviação Civil (DAC), a antiga autoridade da aviação civil no Brasil, para a  Anac, a legislação aeronáutica está sendo revisada com a autorização do PNAVSEC em fase final de aprovação.

“De acordo com o texto aprovado pelo instrumento regulatório, serão revisadas todas as regulamentações da Segurança da Aviação Civil contra atos ilícitos, com prazo de encerramento previsto para março de 2010.”

R$ 270 MILHÕES DE INVESTIMENTOS

Quanto aos equipamentos de inspeção instalados nos aeroportos, o gerente-geral da Anac esclarece que são padronizados. “Além de padronizados, são exigidos de acordo com o movimento de cada aeroporto. Entre eles destacam-se as câmeras de vigilância, alarme audiovisual, detectores manuais de metais, pórticos detectores de metais, aparelhos de raio X de bagagem de mão e de porão, além de detectores de traços de explosivos”, completa Assis.

As empresas aéreas fazem inspeção da bagagem despachada em voos internacionais com pessoal próprio contratado. Os serviços de inspeção de passageiros e suas bagagens de mão são realizados em voos domésticos e internacionais pela administração aeroportuária e custeados por um percentual da tarifa aeroportuária.

Abibe Ferreira Júnior, superintendente de segurança aeroportuária da Infraero, lembra que, mesmo o Brasil não tendo histórico de atentados terroristas em aeroportos, a partir de 11 de setembro de 2001, tudo mudou. “Foi quebrado um paradigma de que uma pessoa não estaria em um avião com a intenção de mor- rer. A partir do atentado, o mundo mudou e, como consequência, a segurança da aviação também. Legislações mundiais e nacionais foram alteradas com o foco na segurança da aviação civil e, por conseguinte, métodos e procedimentos de atendimento à segurança nos aeroportos tiveram de se adequar.”

O superintendente afirma que a Infraero, administradora dos aeroportos brasileiros, adotou novos padrões de segurança, como o aperfeiçoamento dos equipamentos de inspeção, a dotação de postos de controle com efetivo em maior escala e os treinamentos mais aprofundados.

“Além disso, foram adotados procedimentos mais rigorosos e, o que é melhor, houve conscientização da sociedade de que a segurança nos aeroportos é para o bem de todos que lá circulam”, afirma Ferreira.

A Infraero, segundo Ferreira, não mede esforços para dotar os aeroportos com equipamentos de última geração, além de efetivo suficiente para atuação em diversos setores dos aero portos. “Para tanto, anualmente a empresa disponibiliza recursos, cada vez maiores, para fazer frente a essa crescente demanda. Em 2009, cerca de R$ 270 milhões foram disponibilizados para o desenvolvimento da segurança aeroportuária, em todos os níveis.”

PASSAPORTE VISADO

Uma das maiores preocupações da Polícia Federal, além do reforço na segurança em aeroportos e fronteiras, é com o passaporte brasileiro, bastante procurado no mercado criminoso. Segundo a direção da instituição, técnicas de modernização do documento para evitar fraudes e uso indevido estão sendo colocadas em prática. O grande problema do passaporte brasileiro é como ele é conseguido e quais documentos permitem sua expedição. A Polícia Federal tem trabalhado para efetuar a identificação por meio de impressões digitais.

Abibe Ferreira Júnior informa que o governo brasileiro já adotou um mecanismo, por meio da Polícia Federal, para dotar os passaportes brasileiros com padrões internacionais, de modo que não haja ação criminosa. “Novos equipamentos para leitura nos principais aeroportos brasileiros já estão em operação. Portanto, quem ainda possui passaporte antigo e for renovar, quando expirar o prazo, já o fará no novo modelo.”

De acordo com Sinomar M. Neto, delegado de Polícia Federal, classe especial, atual chefe da Divisão de Passaportes/CGPI/DIREX/DPF e professor da Academia Nacional de Polícia, o governo, para solucionar o problema da fragilidade do passaporte brasileiro (capa verde), instituiu por meio do Decreto nº 1.983, de 14 de agosto de 1996,  no âmbito do Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça e da Diretoria-Geral de Assuntos Consulares, Jurídicos e de Assistência a Brasileiros no Exterior do Ministério das Relações Exteriores, o Programa de Modernização, Agilização, Aprimoramento e Segurança da Fiscalização do Tráfego Internacional e do Passaporte Brasileiro (Promasp).

“Em 2005, finalmente, foi possível a contratação pelo DPF da Casa da Moeda do Brasil e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para iniciar a implementação do novo passaporte brasileiro de acordo com o padrão da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO), sendo que os primeiros passaportes foram expedidos em dezembro de 2006, inicialmente em Goiânia (GO) e Brasília (DF). Atualmente, o DPF já expede cerca de 96% dos passaportes no padrão ICAO, com previsão de atingir 100% até junho de 2009, não obstante a ICAO tenha estabelecido prazo superior (até o final de 2010)”, esclarece.

Por meio do Promasp, continua o delegado, também estão sendo instalados nos pontos de controle migratório do País. “São modernos equipamentos que permitem a verificação de itens de segurança do passaporte brasileiro de padrão ICAO e de outros documentos de viagem estrangeiros que sejam digitais, com 16 itens de segurança. Os principais aeroportos, portos e pontos de fronteira já dispõem do equipamento”, conclui Neto.

TECNOLOGIA A SERVIÇO DA SEGURANÇA

Para detectar substâncias proibidas, como explosivos e drogas, existem três equipamentos básicos: detector de metais, raio X e detector de traços, que indica vestígios de explosivos e drogas no corpo e nas roupas dos passageiros. Este último aparelho é a mais nova arma dos grandes aeroportos. Só em 2007, a Infraero, empresa que cuida dos aeroportos brasileiros, já comprou e instalou 32 desses equipamentos. “Na Europa e nos Estados Unidos, o foco desse aparelho é a detecção de explosivos, mas aqui eles são úteis principalmente no combate ao tráfico internacional de drogas”, diz o especialista em equipamentos de segurança Luiz Góes, da Ebco Systems. Abibe Ferreira Júnior explica que a área de segurança é compreendida em dois segmentos:  safety (segurança operacional) e  security (segurança da aviação civil). “Em safety temos, entre outros, equipamentos de salvamento e combate a incêndios dos mais modernos do mundo, obedecendo aos termos pre- vistos para atendimentos às emergências.

Na área de  security, podemos observar em nossos canais de inspeção de raio X detectores de metais e até detectores de traços explosivos (ETD), todos de última geração, qualquer sinal de ameaça. A Infraero está recebendo, inclusive, 95 equipamentos de raio X, recentemente adquiridos para atualização tecnológica dos nossos aeroportos.” A marcação cerrada nos aeroportos é um fenômeno recente, iniciado nos anos 70, quando os terroristas começaram a sequestrar aviões, e intensificado em 2001, após os atentados terroristas em Nova York. A Ebco Systems é empresa brasileira estabelecida em 1982 e atua no fornecimento e prestação de serviços com uso de escâneres por raios X complementado por detecção de traços de explosivos e narcóticos e reconhecimento de substâncias, como o equipamento capaz de detectar e identificar, simultaneamente, partículas invisíveis a olho nu de explosivos e de narcóticos.

Neste aparelho um coletor é passado em superfícies típicas de manuseio como, por exemplo, laptop , fecho de mala, etc., que depois de introduzido no equipamento, em pouco mais de cinco segundos, analisa a amostra e aponta se há presença daquelas partículas. Esse instrumento é de uso comum em aeroportos em todo o mundo e também utilizado em aeroportos da rede Infraero aqui no Brasil.

De acordo com Luiz Góes, diretor da companhia, a distribuição dos equipamentos de raios X teve início em 1994. “Foi quando migramos para uma condição cujo foco do negócio deixou de ser o fornecimento de equipamento para nos tornarmos operadores, suprindo serviços de inspeção com uso do equipamento que originalmente era vendido e com cuidados de manutenção que assegurem ao usuário um alto grau de disponibilidade para estes equipamentos.”

A empresa fornece equipamentos da Smiths Detection, parte do grupo britânico Smiths Group, sólida corporação no fornecimento de soluções para detecção de ameaças e cargas ilícitas com um largo espectro de produtos com aplicações militares e de segurança civil. Um bom exemplo desses equipamentos é o detector de metais por zonas, que possui confiabilidade de detecção, discriminação elevada, visor duplo bem visível para localização individual ou múltipla de armas em trânsito, imunidade de interferências externas elevada. É programável de forma local ou remotamente com possibilidade de ligação em rede. Este tipo de aparelho é um dos mais básicos e fundamentais, sendo normalmente usado lado a lado com o aparelho de raio X de inspeção de bagagem de mão.

A empresa Priel também disponibiliza portal detector de metais aplicável em aeroportos. O equipamento é microprocessado com tecnologia digital, possui quatro zonas de detecção, display  de cristal líquido e painel de teclas em policarbono, além de sensibilidade ajustável, duas senhas de acesso, sinais sonoros e luminosos, entre outras características. O equipamento é aprovado de acordo com a norma IAC 107-1004-RES/2002 do DAC. A Ebco disponibiliza uma linha completa de equipamentos para aeroportos como o aparelho de raio X de bagagem de cabine. Nele, as bagagens de mão carregadas pelos passageiros que se dirigem para a sala de embarque são examinadas.  As dimensões do túnel (60 x 40 cm) são típicas do maior tamanho de malas e mochilas permitidas na cabine do avião. É gerada uma imagem radioscópica de alta definição do conteúdo da mala contraste em função da densidade e colorização da imagem em função da sua natureza orgânica, inorgânica ou mista. Existem diversas ferramentas de alerta ao operador para facilitar seu trabalho de exame do conteúdo de cada mala na busca por objetos ilícitos.

Outro equipamento largamente utilizado em aeroportos é o aparelho de raio X de bagagem despachada que funciona de forma muito semelhante ao aparelho de inspeção de bagagem de mão, possuindo maiores dimensões com um túnel de 1 m x 1 m. O passageiro normalmente não vê estes equipamentos, que são colocados nos corredores internos de acesso do aeroporto para o chamado “lado aéreo” (pátio e pistas) para verificação dos objetos carregados pelo pessoal que presta serviços naquela área e também para exame das bagagens, que são colocadas no porão da aeronave.

CÃES FAREJADORES

Além de todo aparato de segurança instalado nos aeroportos, o Brasil ainda conta com o excelente trabalho executado pelos cães farejadores da Polícia Federal. Segundo   Antonio José de Miranda Magalhães , agente de Polícia Federal que iniciou suas atividades com cães no DPF após curso de guia de cães detectores de drogas realizado na Alemanha em 1989, o papel dos cães é de extrema importância para a segurança dos aeroportos. “A principal atribuição dos cães detectores é prestar o apoio necessário nas ações de prevenção e repressão aos tráficos nacional e internacional de drogas. Devido à sua capacidade de faro, os cães são capazes de identificar carregamentos de drogas em situações nas quais o trabalho humano poderia levar horas e mesmo assim sem êxito.”

Formado instrutor na Alemanha em 1998, Miranda recebeu treinamento para o desenvolvimento do programa de reprodução de cães detectores do DPF, além de chefiar o canil central do DPF de 1995 a 2000, ano em que foi designado para outro setor. Em fevereiro de 2008 retornou à chefia dessa unidade. Com toda essa experiência, explica que na fase jovem são desenvolvidas as capacidades diretamente ligadas ao trabalho a ser executado e selecionados os cães que atingem os padrões mínimos exigidos. “Na fase adulta, os cães são treinados pelas técnicas motivacionais nas quais se estabelece uma relação entre seu brinquedo, o odor que deseja ser detectado e a resposta a ser dada quando encontrado”, explica.

A SEGURANÇA AQUI E NO RESTO DO MUNDO

A Infraero administra 67 aeroportos, cerca de 97% do tráfego aéreo nacional. Em todos os aeroportos, os padrões internacionais são seguidos, uns com maior e outros com menor complexidade, dependendo do volume de operação. De acordo com o superintendente de segurança aeroportuária da Infraero, com exceção de Estados Unidos, Israel e Inglaterra, que têm um nível de ameaça muito superior aos demais países e, portanto, utilizam equipamentos adequados, o Brasil não deve nada a qualquer outro país no que diz respeito à tecnologia aplicada ao aeroportos nacionais. “Nossos equipamentos são de última geração e utilizam padrões internacionais de segurança”,  complementa Abibe Ferreira Júnior. Contudo, os Estados Unidos, país dos atentados que chocaram o mundo, colocam em testes equipamento revolucionário: trata-se de um scanner que vê através das roupas. Pela primeira vez, alguns passageiros de empresas aéreas não serão submetidos aos detectores de metal antes de embarcar. Ao invés disso, passarão por um tipo de “ scanner de corpo” que vai procurar por armas através das roupas, informou em 17 de fevereiro a Agência de Segurança em Transporte dos EUA (TSA) ao jornal  USA Today.

O programa experimental começará a ser colocado em prática no aeroporto internacional de Tulsa, no Estado de Oklahoma. Se o resultado for positivo, o novo aparelho substituirá os tradicionais detectores de metal, utilizados desde 1973. Nos próximos dois meses, os aeroportos de San Francisco, Las Vegas, Miami e Albuquerque também passarão pelos testes. O objetivo do novo dispositivo é achar armas não metálicas, como explosivos plásticos e líquidos. A polêmica em relação às máquinas é que elas poderiam mostrar partes íntimas do corpo. “Nós estamos cada vez mais perto de precisar tirar toda a roupa no aeroporto”, disse Barry Steinhardt, representante da União Americana pelas Liberdades Civis.

O Patrono do Jornalismo Brasileiro merece estudos mais rigorosos. Nomes como Hipólito José da Costa, Antônio Isidoro da Fonseca, João Soares Lisboa, José do Patrocínio (alguns comemoram, por isso, em 29 de janeiro), Frei Caneca ou até mesmo Tavares Bastos, que teria militado na imprensa do Segundo Reinado.

Mas o dia 7 de abril, Dia do Jornalista, está relacionado a Giovanni Baptista Líbero Badaró, italiano, médico e político, que chegou ao Brasil em 1826, aos 28 anos. Líbero Badaró foi preocupado com a situação política e social do País e encontrou no jornalismo a "arma" para lutar por melhorias, tornando-se assim, uma personalidade marcante para os brasileiros.

Em 1829, fundou o jornal periódico "Observador Constitucional" onde denunciava os desmandos e excessos cometidos pelos governantes. Já no primeiro dia de circulação, escreveu: "Não devia vegetar no Brasil a planta do despotismo". Líbero Badaró foi assassinado em São Paulo, no dia 22 de novembro de 1830, por inimigos políticos, durante uma passeata estudantil em comemoração aos ideais libertários da Revolução Francesa. O movimento popular gerado por sua morte levou à abdicação de D. Pedro I, no dia 7 de abril de 1831. Em 1931, em homenagem a esse acontecimento, o dia 7 de abril foi instituído como o "Dia do Jornalista".

PS: Dia 03 de maio também poderia ser considerado o Dia do Jornalista, afinal, nesta data, foi decretado pela ONU (1993) o dia da Liberdade de Imprensa.

Ser jornalista é...

"O trabalho de Badaró estava revolucionando a cidade, hostilizando o bispo, o ouvidor o presidente e entrando na luta pela imprensa... um jornalista que as lutas do tempo celebrariam e sacrificariam: Líbero Badaró". Werneck Sodré

"Hoje e sempre ser jornalista é tentar ser uma testemunha do seu tempo. Essa é nossa humilde tarefa. Não é ser juiz, promotor. Atualmente, temos uma tendência de julgar e até condenar. Quanto mais complexa a sociedade, mais se exige esse papel do jornalista". Zuenir Ventura

"Jornalismo, independente de qualquer definição acadêmica, é uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus alvos: leitores, telespectadores e ouvintes". Clovis Rossi

"Eu acho que o jornalista tem que ter a formação do historiador. Só que o ritmo dele vai ser diferente e a metodologia também. Mas a atitude perante os fatos é a mesma. Eu acho que todo jornalista tinha que, em algum momento, fazer um trabalho de pesquisa histórica. Para ele sentir, inclusive, as diferenças, e saber que o que ele está escrevendo no jornal vai ficar, vai ser consultado daqui a trinta anos como referência histórica". Alberto Dines

"...lembrem-se dos compromissos dos jornalistas, o de servir à sociedade com ética e serem fiéis ao seu tempo e à sua gente"."...eu, se fosse vocês, querendo mesmo ser jornalista, começaria desde já a trabalhar na internet, nem que seja de graça"."...ser jornalista é sair da redação, largar o telefone e as teses dos analistas políticos, botar outra vez o pé nas ruas e nas estradas, olhos e ouvidos bem abertos". Ricardo Kotscho

Texto publicado originalmente no site http://jornalistamasini.wordpress.com

Banner
Nós temos 18 visitantes online